Como calcular o custo da embalagem no produto artesanal
Papel, barbante, etiqueta e lacre custam centavos cada. Somados, viram a segunda maior linha do custo de um sabonete, e quase ninguém mede.
O custo de embalagem por unidade é a soma de cada item de embalagem dividido pela quantidade que vem no pacote de compra. Papel, etiqueta, lacre, barbante e caixa entram no custo do produto. A caixa de envio e o plástico bolha do e-commerce não entram: eles são despesa variável do canal de venda.
Essa distinção parece implicância contábil. Ela é o que impede o seu produto de parecer caro no atacado.
Levante item por item
Não estime. Some.
Uma barra embrulhada em papel kraft com barbante, etiqueta e lacre:
| Item | Preço do pacote | Unidades | Custo por barra |
|---|---|---|---|
| Papel kraft | R$ 32,00 | 100 folhas | R$ 0,32 |
| Barbante (0,4 m por barra) | R$ 18,00 | 100 m | R$ 0,07 |
| Etiqueta impressa | R$ 24,00 | 60 unidades | R$ 0,40 |
| Lacre adesivo | R$ 30,00 | 500 unidades | R$ 0,06 |
| Total | R$ 0,85 |
Oitenta e cinco centavos. Num sabonete que custa R$ 6,00 para produzir, a embalagem é 14% do custo. Numa barra de R$ 3,00, ela é 28%.
Quatro itens que somem dessa lista com frequência:
- O cartão de agradecimento que você coloca em toda venda direta
- A fita de cetim do kit de presente
- O saquinho plástico que protege a barra dentro da caixa
- A tinta e o papel da etiqueta que você imprime em casa.
Se está na embalagem, está no custo.
O guia de precificação do SEBRAE trata a embalagem exatamente assim. No exemplo dele, o custo da matéria-prima de um sabonete fecha em R$ 0,85 e a embalagem entra por R$ 0,60, somando R$ 1,45 de custo de material direto. Ou seja: 41% do material direto é embalagem. Ela não é um extra que se olha depois.
Embalagem primária e secundária
A RDC nº 907/2024 separa as duas, e a separação importa para o rótulo antes de importar para o custo.
Primária é a que fica em contato direto com o produto. O papel que envolve a barra.
Secundária é a que envolve a primária. A caixinha.
O artigo 13 da RDC 907/2024 lista o lote entre as informações obrigatórias da embalagem primária, e o prazo de validade, a composição em INCI e os dados do responsável entre as da secundária. Quando a embalagem primária não acompanha o produto durante o uso, o artigo 18 permite que tudo fique na secundária.
Para o custo, isso significa que decidir entre "só o papel" e "papel mais caixinha" não é decisão estética. Adicionar a caixinha custa dinheiro e resolve um problema de rotulagem. Retirar a caixinha economiza e transfere toda a informação obrigatória para o papel, que tem menos espaço. O detalhe de cada campo está em rotulagem ANVISA.
Use o que foi consumido, não o que foi comprado
O pedido mínimo do fornecedor distorce o custo unitário se você não tomar cuidado.
Você compra 1.000 etiquetas porque o fornecedor não vende menos, e usa 200 no ano. O custo por etiqueta continua sendo preço do pacote dividido por 1.000, e não por 200. As 800 restantes são estoque, não despesa do período.
Onde isso vira armadilha: etiqueta com data, lote ou promoção impressa que não pode ser usada no ano seguinte. Aí as 800 restantes viraram perda, e a perda vai para o custo do período, do mesmo jeito que insumo vencido, e não para o custo daquele lote.
O frete da compra de embalagem também entra. Ele se soma ao preço do pacote antes da divisão, exatamente como com matéria-prima.
O frete de envio não é custo do produto
Aqui vale a posição firme.
A caixa de papelão, o plástico bolha e a etiqueta dos Correios existem porque você vendeu pela internet. Se a mesma barra for vendida na feira, nada disso é gasto.
Custo de produto é o que existe em qualquer canal. Custo de canal é o que só existe em um deles. Misturar os dois faz o preço de atacado parecer alto sem motivo, porque você embutiu numa venda de 200 barras a caixa de envio de uma venda unitária.
Trate assim:
- No custo do produto: embalagem primária e secundária, etiqueta, lacre, o que vai na prateleira
- Na despesa variável do canal: caixa de envio, preenchimento, frete, taxa de marketplace, sacola de feira.
A precificação por canal fica em preço de atacado e varejo.
A embalagem entra como matéria-prima da fórmula, com preço de compra e quantidade por pacote. O custo por unidade sai junto do custo dos insumos, e o estoque de papel, etiqueta e lacre baixa a cada produção como qualquer outro item.
Conte a perda de embalagem
Papel rasga. Etiqueta sai torta. Barbante corta errado.
Uma perda de 5% em embalagem não muda o mundo, mas ela é fácil de medir e some se você não olhar. Se o pacote de 100 folhas rende 94 barras embaladas, o custo real da folha é R$ 32,00 ÷ 94 = R$ 0,34, não R$ 0,32.
É o mesmo raciocínio das barras reprovadas, aplicado à embalagem. A lógica completa está em como incluir perdas e sobras no custo do lote.
Perguntas frequentes
Como calcular o custo da embalagem por unidade?
Divida o preço de cada item de embalagem pela quantidade que vem no pacote de compra, somando o frete da compra ao preço antes da divisão, e some todos os itens. Papel kraft a R$ 32,00 por 100 folhas dá R$ 0,32; etiqueta a R$ 24,00 por 60 unidades dá R$ 0,40; lacre a R$ 30,00 por 500 dá R$ 0,06. Some tudo o que vai no produto, incluindo cartão de agradecimento, fita e saquinho plástico.
A caixa de envio entra no custo do produto artesanal?
Não. Caixa de papelão, plástico bolha e etiqueta dos Correios só existem porque a venda foi pela internet, então são despesa variável do canal, não custo do produto. Custo de produto é o que existe em qualquer canal de venda: embalagem primária, secundária, etiqueta e lacre. Misturar os dois faz o preço de atacado parecer inflado, porque embute numa venda de 200 unidades o custo de envio de uma venda unitária.
Qual a diferença entre embalagem primária e secundária?
A primária é a que fica em contato direto com o produto, como o papel que envolve a barra. A secundária é a que envolve a primária, como a caixinha. A RDC nº 907/2024 usa essa divisão no artigo 13 para distribuir as informações obrigatórias: o lote fica na primária, e validade, composição em INCI e dados do responsável ficam na secundária. Pelo artigo 18, quando a primária não acompanha o produto durante o uso, tudo pode ficar na secundária.