O seu lote
A família: sabonete, creme, vela.
A receita: lavanda, argila, calêndula.
O dia em que o lote foi produzido.
1, salvo se você rodou a mesma fórmula duas vezes.
O número que saiu do estudo de estabilidade. Esta ferramenta não estima prazo: só um estudo estima.
A validade que veio no rótulo do fornecedor, por lote de insumo. Deixe em branco o que não se aplica.
De onde vêm as regras desta ferramenta: fontes no fim da página.
Aritmética de datas, não estudo de estabilidade. O prazo de validade é informado por você e precisa sair de um estudo conduzido como o guia da ANVISA descreve.
As três contas de um lote
Todo lote produzido gera três informações que vão para o rótulo ou para o arquivo: o código que o identifica, a data até quando ele vale e a data em que a amostra guardada pode ser descartada. Nenhuma das três é difícil. A segunda é a que sai errada.
1. O código do lote
Não existe formato imposto pela norma. Existem formatos que funcionam e formatos que você não vai conseguir ler daqui a dois anos. O que funciona tem quatro partes:
SAB-LAV-260315-02 = produto, fórmula, data em AAMMDD, batelada do dia
A data em AAMMDD ordena sozinha em qualquer lista e nunca confunde dia com mês. A sequência existe porque duas bateladas da mesma fórmula no mesmo dia são lotes diferentes e podem ter dado resultados diferentes. A versão sem separador serve para etiqueta pequena, carimbo e gravação a laser.
Uma regra sem exceção: nunca reaproveite um código, nem quando o lote foi descartado.
2. A validade, e o corte que quase ninguém faz
A primeira metade da conta é uma soma: data de fabricação mais o prazo que saiu do estudo de estabilidade. Doze meses a partir de 15 de março de 2026 é 15 de março de 2027.
A segunda metade é a que falta na maioria das saboarias. O produto acabado não pode ter validade maior que a da matéria-prima mais restritiva que entrou nele. Se a sua essência vence em oito meses, o sabonete feito com ela não vence em dois anos, por mais que o estudo tenha estimado vinte e quatro. A calculadora compara as duas datas, fica com a menor e diz qual insumo mandou.
É por isso que a ferramenta pede a validade de cada matéria-prima. Sem elas, o número que sai é só a soma, e a soma sozinha imprime uma data que o lote não sustenta.
3. Até quando guardar a amostra
Um ano depois do vencimento do produto, conforme o item 19.3(b) da RDC nº 48/2013. Separe uma unidade de cada lote, embalada como você vendeu, com o código visível, em lugar seco e escuro. Se um cliente reclamar daqui a oito meses, você tem o mesmo produto para comparar.
O que esta ferramenta não faz
Ela não estima prazo de validade. Esse número sai do estudo de estabilidade, e o Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos da ANVISA descreve três estudos encadeados: o preliminar, de cerca de quinze dias, que só faz triagem de fórmulas; o acelerado, de cerca de noventa dias, que estima a validade; e o teste de prateleira, que roda pelo prazo inteiro e é o único que comprova o número do rótulo.
Estufa com temperatura controlada, geladeira, freezer e laboratório para a parte microbiológica não cabem na cozinha. O caminho real para a maioria das saboarias é contratar o estudo em laboratório terceirizado ou seguir a orientação de um responsável técnico. O raciocínio completo está no guia sobre validade de cosméticos artesanais.
Onde a conta costuma dar errado
- Ignorar a validade do insumo. É o erro mais comum e o mais caro: uma data de rótulo que o produto não sustenta. A rastreabilidade só serve se a data for verdadeira.
- Usar DDMMAA no código. Ordena errado em qualquer lista e confunde 03/05 com 05/03. AAMMDD resolve os dois problemas de uma vez.
- Não anotar o lote da matéria-prima. O código do produto sem o registro de quais insumos entraram nele identifica a barra e nada mais. O item 10.10.3 da RDC 48/2013 pede exatamente esse registro.
- Reaproveitar código de lote descartado. Dois lotes com o mesmo código tornam impossível responder qual foi recolhido.
- Somar meses no calendário à mão. 31 de janeiro mais um mês é 28 de fevereiro, não 3 de março. A calculadora trava no último dia do mês em vez de virar para o mês seguinte.
Como montar o código, o que registrar em cada produção e como fazer a rastreabilidade funcionar nos dois sentidos está no guia sobre código de lote e rastreabilidade.
Fontes
- ANVISA: RDC nº 907, de 19/09/2024 — o artigo 13 lista o lote ou partida entre as informações obrigatórias da embalagem primária, e o prazo de validade entre as da embalagem secundária. O artigo 18 trata do produto sem embalagem primária que acompanhe o uso.
- ANVISA: RDC nº 48, de 25 de outubro de 2013 — Boas Práticas de Fabricação. O item 10.11.1 exige procedimento escrito para a numeração de lotes, o item 10.10.3 exige o registro dos lotes de matéria-prima em cada produção e o item 19.3(b) fixa a retenção da amostra em um ano após o vencimento.
- ANVISA: Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos — de onde sai o prazo de validade que você informa aqui: estudo preliminar, acelerado e teste de prateleira.
- Boas práticas de fabricação na saboaria — o que mais a RDC 48/2013 pede do registro de produção.
Cada entrada de matéria-prima guarda lote e validade, e cada produção registra o lote acabado com as matérias-primas que consumiu. O app avisa antes de um insumo vencer e a busca funciona nos dois sentidos. Conheça o controle de lotes.
Perguntas frequentes
Como calcular a data de validade de um cosmético artesanal?
Some à data de fabricação o prazo que saiu do estudo de estabilidade e depois compare com a validade das matérias-primas usadas. A data do rótulo é a menor das duas. O prazo em si não se calcula: ele vem do estudo de estabilidade acelerada e é confirmado pelo teste de prateleira, como descreve o Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos da ANVISA.
A validade do produto pode ser maior que a do insumo?
Não. O produto acabado não pode ter validade maior que a da matéria-prima mais restritiva que entrou nele. Se a essência vence em oito meses, o sabonete feito com ela não vence em dois anos, mesmo que o estudo de estabilidade tenha estimado vinte e quatro meses. A calculadora aplica esse corte e mostra qual insumo o causou.
Como montar um código de lote para cosmético artesanal?
Não existe formato imposto pela norma. O que funciona são quatro partes: código do produto, código da fórmula, data em AAMMDD e a sequência da batelada no dia. SAB-LAV-260315-02 lê como sabonete de lavanda, produzido em 15 de março de 2026, segunda batelada. A data em AAMMDD ordena sozinha e nunca confunde dia com mês.
O número de lote é obrigatório no sabonete artesanal?
Sim. O artigo 13 da RDC nº 907/2024 lista o lote ou partida entre as informações obrigatórias da embalagem primária de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Quando a embalagem primária não acompanha o produto durante o uso, o artigo 18 permite que as informações fiquem na embalagem secundária.
Por quanto tempo guardar a amostra de cada lote?
Por um ano após o vencimento do produto, conforme o item 19.3(b) da RDC nº 48/2013. O item 19.1 pede que as amostras fiquem nas embalagens originais e em quantidade suficiente para no mínimo duas análises completas. A calculadora já mostra essa data de descarte a partir da validade final do lote.
A calculadora de validade e lote é gratuita?
Sim. A ferramenta é gratuita, funciona no navegador, não guarda os seus números e não pede cadastro. Para registrar cada produção com o lote, as matérias-primas consumidas e o aviso de vencimento, o aplicativo Artisan View faz isso no iPhone, iPad, Mac e Windows.
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